Médico, advogada e secretária: quem são os investigados em SC por atestados falsos para soltar presos
06/05/2026
(Foto: Reprodução) Operação mira em esquema de atestados para tirar detentos da prisão em SC
A operação do Gaeco contra um esquema de atestados falsos para tirar presos da cadeia em Santa Catarina teve entre os alvos o médico Marcelo Marques Costa. Gastroenterologista, ele reagiu à abordagem da prisão e atirou contra um policial militar ao menos quatro vezes. O agente sobreviveu e está bem.
Além do médico, foram presos na terça-feira (6) um detento que não teve o nome divulgado, a advogada Amanda Letícia Moraes Cunha e a secretária Juliete Francisco. Segundo a investigação, o grupo atuava em conluio para garantir a prisão domiciliar dos detentos, entre eles liderenças criminosas, do Complexo Prisional de Itajaí.
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Conforme o sistema de consulta do Conselho Regional de Medicina (CRM), o médico atua em Camboriú, cidade onde foi detido em casa. Ele se formou na Universidade Regional de Blumenau (FURB) em 1998 e está com a situação regular no conselho.
Procurado, o órgão disse que irá investigar a atuação do profissional no esquema de fraudes. Já a defesa do médico afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo e que busca a íntegra da acusação para se manifestar.
Marcelo Marques Costa
Reprodução/CRM
A advogada aparece no site da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com o endereço de atendimento também em Camboriú. Procurada, a instituição afirmou que seguirá acompanhando os desdobramentos da mais recente operação, denominada (íntegra abaixo).
Em nota, a defesa da advogada Amanda Letícia Moraes Cunha informou que está à disposição da Justiça e colaborando com as autoridades.
A defesa da secretária Juliete Francisco informou que ela não tinha qualquer envolvimento ou autonomia na emissão de documentos médicos, limitando-se apenas a funções administrativas (leia mais abaixo).
Operação
No total, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina e no Paraná. Os agentes também encontraram mais de R$ 100 mil em espécie, além de armas e documentos (assista ao vídeo acima).
Os investigadores tiveram acesso ainda a arquivos com imagens de atestados, exames e receituários que indicam as fraudes. Para o Gaeco, as lideranças criminosas beneficiadas pelo esquema frequentemente rompem a tornozeleira eletrônica e se tornam foragidos.
Conforme o Ministério Público, responsável pelo Gaeco, a secretária presa negociava os valores e agendava as consultas com os presos. Já a advogada é apontada por intermediar o contato entre os criminosos e o médico, além de protocolar pedidos de prisão domiciliar com base nos atestados fraudulentos.
Os documentos simulavam comorbidades graves e inexistentes para fundamentar pedidos de liberdade ou prisão domiciliar.
Médico atirou ao menos 4 vezes contra PM na hora da prisão
Operação prende suspeitos de fabricar atestados falsos para tirar lideranças da cadeia
O que disse o CRM
"O CRM-SC informa que irá apurar a conduta ética do médico mencionado na reportagem, diante da suspeita de emissão de atestado falso".
O que disse a OAB
A OAB/SC tem acompanhado as operações deflagradas pelo GAECO que envolvem profissionais inscritos em seu quadro, conforme definido em lei, a fim de assegurar o respeito às prerrogativas profissionais e a legalidade dos procedimentos, ao mesmo tempo em que apoia o combate à criminalidade.
A instituição também seguirá acompanhando os desdobramentos da mais recente operação, denominada “Efeito Colateral”. Caso os fatos sejam confirmados, será instaurado processo disciplinar na entidade, que tramita em sigilo conforme determina a legislação, podendo resultar na exclusão do profissional dos quadros da Seccional.
A OAB/SC atua de forma firme na defesa das prerrogativas da advocacia. Com o mesmo rigor, não tolera violações éticas e aplica seus mecanismos disciplinares sempre que necessário, pois a advocacia deve ser exemplo para a sociedade. Nos últimos cinco anos, foram aplicadas 557 penas de suspensão e 69 advogados foram excluídos dos quadros da Seccional.
O que disse a defesa da advogada
"Diante da operação deflagrada nesta data, a defesa da investigada esclarece que está à disposição da Justiça e colaborando com as autoridades. É precoce qualquer conclusão sobre os fatos, uma vez que o acesso aos autos ainda não foi integralmente liberado à defesa. Reiteramos a confiança na Justiça e a convicção de que a inocência da representada será comprovada ao longo do procedimento, demonstrando que sua atuação profissional sempre pautou-se pela legalidade
Christiano Arboitte Cruspeire OAB/SC 19.757"
O que disse a defesa da secretária
"A defesa de Juliete Francisco, representada pela advogada Suellen Maffezzolli (OAB/SC 57.212), esclarece que a sua cliente ocupava apenas o cargo de secretária na clínica investigada.
Ressaltamos que Juliete não tinha qualquer envolvimento ou autonomia na emissão de documentos médicos, limitando-se apenas a funções administrativas. A defesa já está tomando as medidas cabíveis para esclarecer os fatos à Justiça e provar que ela é inocente.
Reiteramos o compromisso com a verdade e a plena confiança de que sua liberdade será restabelecida em breve.
Suellen Maffezzolli OAB/SC 57.212"
Operação mira em esquema de atestados para tirar detentos da prisão em SC
Gaeco/Divulgação
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